Digitise-to-distribute: como a tecnologia está a expandir o alcance dos investidores em trade finance
Os investidores alternativos são contributos-chave na redução das lacunas de financiamento e na transformação da dinâmica do setor. A equipa do Santander CIB destaca o papel da digitalização na atração de novos participantes para o mercado de trade finance.
A digitalização no trade finance é um tema central numa indústria que, durante séculos, dependeu do papel e cuja natureza multiparte e transfronteiriça apresenta obstáculos significativos à simplificação e automatização dos processos.
Apesar de ser um objetivo desafiante, os benefícios para empresas e bancos ao investir em novas tecnologias são enormes: reduz significativamente o tempo, os custos e os erros operacionais, aumentando a eficiência e maximizando volumes, o que, em última análise, torna mais inclusiva a participação no comércio internacional e o acesso a financiamento competitivo.
Devido às suas inúmeras vantagens, a transformação digital do comércio está a acelerar. Os players que não conseguirem acompanhar os mais recentes avanços tecnológicos correm o risco de perder competitividade e desaparecer a longo prazo. O Santander Corporate & Investment Banking (Santander CIB) está comprometido em liderar este novo ambiente e antecipar as necessidades decorrentes do processo de digitalização dos seus clientes.
“Como banco global, temos a infraestrutura, capital e capacidades de gestão de risco necessárias para nos posicionarmos no centro do ecossistema e atuar como âncora para os nossos clientes corporativos, conectando-os a todos os intervenientes do trade finance e oferecendo a melhor proposta de valor”, afirma Enrique Rico, global head of trade and working capital solutions no Santander CIB.
Esta abordagem colaborativa levou a equipa a tornar-se investidora na plataforma de trade finance Komgo, a estabelecer parcerias com a fintech Two e a seguradora Allianz Trade para apoiar os clientes no aumento das vendas digitais B2B, e a colaborar com a SAP para integrar soluções de financiamento de recebíveis e supply chain nos ERP dos clientes.
Libertar o potencial da digitalização
A digitalização não só reforça a colaboração entre as indústrias financeira e tecnológica, como também permite aos bancos estabelecer parcerias dentro do setor que oferecem soluções de trade finance mais amplas e completas, respondendo a todas as necessidades dos clientes e simplificando os seus processos.
Os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos impulsionaram a estandardização e automatização de processos e templates, melhorando significativamente as capacidades de sindicação e distribuição dos bancos. Esta transformação desbloqueou o potencial dos ativos de trade finance, que tradicionalmente eram muito difíceis de distribuir.
“O modelo originate-to-distribute seguido pelos grandes bancos é essencial para cumprir os requisitos de capital, gerir o risco de crédito e assegurar liquidez”, afirma Rico. “Mas a capacidade de estruturar soluções multibanco também é fundamental para os nossos clientes, especialmente quando falamos de grandes multinacionais que necessitam de centralizar as suas necessidades de trade finance e working capital nas diferentes subsidiárias”, acrescenta.
Programas multifinanciador são inevitáveis quando se pretende alcançar a escala e a cobertura geográfica exigidas pelas grandes empresas. A diversificação das fontes de financiamento também contribui para reforçar a resiliência e flexibilidade dos programas, permitindo responder a picos de utilização.
“Recentemente concluímos uma operação de supply chain finance de vários milhares de milhões com um grande grupo energético, incluindo várias entidades compradoras em três continentes”, explica Ángel Bustos, global head of supply chain finance no Santander CIB. “Sem uma abordagem multibanco, nenhuma instituição teria capacidade para assumir um volume tão elevado, obrigando a empresa a gerir várias linhas com diferentes plataformas e processos.”
Plataforma multifinanciador de supply chain finance do Santander CIB
Através da sua plataforma digital multibanco white-label, o Santander CIB permite estruturar soluções globais com um único ponto de entrada e processos integrados. Compradores e fornecedores interagem exclusivamente com o Santander como banco líder, enquanto os restantes financiadores participam através de um processo digital em que as faturas são automaticamente atribuídas, vendidas e pagas a cada participante de acordo com a sua quota.
Para tal, o banco tem investido consistentemente cerca de 20 milhões de dólares anuais em tecnologia de ponta para digitalizar totalmente a sua plataforma de supply chain finance, simplificar o onboarding de fornecedores e abrir o sistema a outros bancos e investidores.
“Juntamente com outros avanços de conectividade, como a integração com os ERP dos clientes, a estrutura multibanco foi um ponto de inflexão na nossa oferta”, afirma Bustos. “Graças a um modelo flexível e automatizado, expandimos as opções de participação para investidores em termos de cobertura geográfica, moedas, apetite de risco e opções financiadas ou não financiadas.”
Inclusivamente, o comprador pode investir o seu próprio excedente de liquidez no programa através de mecanismos de dynamic discounting.
O banco estima que dois em cada três programas de supply chain finance incluirão estruturas multifinanciador até 2025, representando um avanço significativo para ativos historicamente difíceis de distribuir.
Novos investidores expandem o universo do trade finance
Apesar do seu comportamento anticíclico e perfil de baixo risco — devido à sua natureza comercial e de curto prazo — os ativos de trade finance têm tido menor acesso aos mercados de capitais em comparação com outros ativos financeiros, como hipotecas ou obrigações.
No entanto, esta tendência está a mudar, com fundos de private equity e gestores de ativos a demonstrarem interesse nesta classe de ativos de vários biliões de dólares. Como exemplo, o Santander Alternative Investments criou recentemente fundos que permitem aos investidores aceder a ativos de trade finance com “baixas taxas de incumprimento e elevadas taxas de recuperação”.
“A entrada de investidores privados no trade finance é uma excelente notícia para os bancos tradicionais”, explica Rico. “Estes investidores ajudam a aliviar restrições de capital e liquidez, e, mais importante ainda, abrem novas oportunidades de crescimento.”
De facto, novos investidores estão a trazer capital adicional ao mercado, impulsionando o financiamento em mercados emergentes, empresas com menor rating e PME, contribuindo para reduzir o défice global de trade finance estimado em 2 biliões de dólares.
Contudo, para que o processo de distribuição funcione eficazmente, não é possível depender de processos manuais.
Com o aumento do volume e do número de investidores, torna-se essencial dispor de infraestruturas tecnológicas robustas. Apenas os bancos que apostarem na digitalização estarão posicionados para liderar esta transformação e desempenhar um papel central no ecossistema de trade finance.
No Santander CIB, assumimos plenamente este compromisso.