25ª Conferência Latino-Americana do Santander: O que reserva o futuro para a região?
Embora o novo ano tenha sido marcado por incertezas e transtornos devido à Covid-19, pôde ser realizado um evento extremamente importante: a 25ª Conferência Latino-Americana do Santander.
Mesmo sendo a primeira vez que a conferência foi realizada totalmente online, manteve a sua relevância desde a sua criação, em 1997, reunindo importantes líderes, figuras e empresas de investimento dos setores político e económico da América Latina para oferecer perspetivas valiosas sobre o futuro da região.
Através de uma série de mesas-redondas e reuniões individuais, aproveitamos o formato virtual da conferência para alcançar um público muito maior com uma seleção excecional de oradores, incluindo Hilary Clinto, ex-Secretária de Estado dos EUA; Roberto Campos, Presidente do Banco Central do Brasil; Mark Carney, ex-Governador do Banco de Inglaterra; e Alejandro Díaz de León, Governador do Banco do México.
Ao abordar temas-chave como a política da América Latina, a ESG e a transformação digital, a conferência celebrou o potencial da região para atrair maior investimento estrangeiro e impulsionar o crescimento sustentável, apesar dos graves impactos da Covid-19.
Apesar destes desafios, as oportunidades na América Latina são vastas. Uma das principais conclusões da conferência foi que a América Latina não pode ser tratada como uma região homogénea, com cada país a apresentar realidades e necessidades diferentes. Para que os investimentos na região sejam bem-sucedidos, as instituições financeiras e os investidores precisam de ser flexíveis e aproveitar esta diversidade, em vez de a verem como uma barreira. À medida que a América Latina recupera do impacto devastador da Covid-19, a região irá concentrar-se na restauração da sua infra-estrutura económica, criando uma necessidade muito maior de investimentos por parte do sector privado e de investidores especializados.
Os oradores da conferência destacaram ainda a necessidade de um maior alinhamento global na abordagem do financiamento sustentável. De facto, o crescente nível de cooperação entre os países da região acelerou significativamente o ritmo da digitalização na América Latina. Além disso, as principais economias da América Latina mantiveram uma inflação baixa, permitindo aos bancos centrais manter as taxas de juro sob controlo, e o sector bancário manteve-se resiliente, com amplas reservas de capital e liquidez. Com este cenário económico, é provável que a América Latina saia da pandemia mais forte do que antes.
O Santander reconhece há muito tempo a América Latina como uma das regiões mais promissoras para o investimento. Sendo uma das regiões mais ricas em recursos naturais e produção alimentar, e com um forte contingente de talentos, a procura pelo desenvolvimento de infraestruturas sustentáveis na região é extensa.
À medida que a atenção global se volta cada vez mais para a América Latina, esperamos ver melhorias graduais na gestão económica da região, incluindo uma maior inclusão social e a captação de capital público e privado para impulsionar o investimento em infraestruturas, inovação e tecnologia. O Brasil, um mercado-chave para nós, oferece um enorme potencial em termos de investimentos ESG, e o foco do México na fintech e na banca digital está a gerar avanços entusiasmantes para a transformação digital em toda a região.
Embora a mudança na região não seja linear, o progresso que está a ocorrer em todas as frentes na América Latina apenas fortaleceu o compromisso do Santander em desempenhar um papel substancial na região. Tendo iniciado as nossas operações na América Latina em 1857, contamos agora com 76 milhões de clientes na região, mais 56% do que há três anos. À medida que continuamos a investir amplamente na região sob a liderança de 400 equipas de gestão sénior, iremos também expandir o trabalho que realizámos em 2020 para canalizar recursos por toda a região, reduzir as taxas para as PME, alargar o nosso programa de bolsas de estudo e investir em novas instalações.
Se os oradores inspiradores da conferência nos mostraram alguma coisa, é que a crise actual pode ser transformada numa crise de resiliência e sustentabilidade. Agora, mais do que nunca, precisamos de levar o risco climático a sério, e a América Latina está a revelar-se o local ideal para isso. Esperamos que, até à conferência do próximo ano, que se realizará presencialmente em Cancún, o papel fundamental da América Latina na economia global sustentável seja inquestionável.